sábado, 17 de abril de 2010

FLIPPER E SEUS AMIGOS
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Nome específico: Tursiops truncatus ( Montagu, 1821)

Nome comum: golfinho-flíper, boto, golfinho-nariz-de-garrafa, toninha, bottlenose dolphin

Distribuição: Águas tropicais, subtropicais e temperadas de todos os oceanos. Pode ser encontrado tanto em águas costeiras como em oceânicas bem como em "mares fechados" como o Mar Negro, Mar Vermelho e Mediterrâneo. Também pode ocorrer em estuários, lagoas e canais, e ocasionalmente penetra em rios. No Brasil, ocorre desde o rio grande do Sul até a costa nordeste. Populações oceânicas podem realizar migrações sazonais enquanto as costeiras geralmente, são oceânicas.

Peso, medidas e características: O golfinho-flíper varia muito em tamanho, forma e cor de um indivíduo para o outro e de acordo com a região geográfica em que vive. No entanto, existem duas variedades principais : uma forma costeira e de menor tamanho e uma forma oceânica mais robusta e de maior tamanho. Os machos e fêmeas tem o comprimento máximo de 3,8 e 3,6m, respectivamente. O peso máximo já registrado é de 640 Kg. Corpo robusto. A coloração varia bastante entre as diferentes populações. O dorso em geral varia entre cinza-claro e cinza-escuro, e vai clareando nas laterais em direção à barriga, que é clara (branca ou rosada). Pode apresentar manto dorsal definido por coloração mais escura, e algumas vezes o manto é interrompido, abaixo da nadadeira dorsal, por uma entrada mais clara. É comum haver pintas e manchas pelo corpo. A região ao redor dos olhos é mais escura. Os adultos costumam ser muito arranhados. A nadadeira dorsal é alta e falcada, com base larga. As nadadeiras peitorais são pontudas e de tamanho moderado. O bico é curto, largo e bem separado da cabeça. Apresenta de 40 a 56 pares de dentes grossos e pouco afiados.

Como nascem e quanto vivem: A maturidade sexual é atingida com pelo menos 2,3m: fêmeas entre cinco e 12 anos, e machos entre nove e 13 anos. A gestação dura cerca de um ano. Os filhotes nascem medindo entre 0,8 e 1,2m e pesando cerca de 10 Kg. A amamentação dura aproximadamente um ano, mas o filhote pode começar a ingerir alimentos sólidos antes dos seis meses. Existem fortes vínculos emocionais e sociais entre os golfinhos-flíper, especialmente entre mães e filhotes. O intervalo médio entre as crias é de dois anos. Pode viver pelo menos, 35 anos.

Comportamento e hábitos: Grupos dos mais variados tamanhos, desde pares até centenas de indivíduos. Raras vezes são vistos animais solitários embora existam registros de golfinhos-flíper solitários (geralmente machos) e sociáveis em várias partes do mundo que permanecem na mesma área por períodos de meses até anos interagindo com humanos. No Brasil, ocorreu um caso destes em agosto de 1994 em Caraguatatuba, São Paulo. O golfinho-flíper, com cerca de 2,5m, recebeu o nome de "Tião". Infelizmente, devido a ignorância dos banhistas que o molestavam freqüentemente, em dezembro "Tião acabou matando um banhista tornando-se um caso único no mundo .... Pode formar grupos mistos com várias espécies de cetáceos tanto quanto tubarões e tartarugas. É inteligente, ativo e acrobata. Salta, bate as nadadeiras peitorais na superfície da água e gosta de acompanhar embarcações. Em algumas localidades, já foram observados "surfando" nas ondas. As vocalizações incluem uma grande variedade de estalos e assobios. Cada indivíduo tem seu assobio característico, reconhecido como sua "assinatura" dentro do grupo. Já foram registrados diversos comportamentos e táticas de pesca entre esses golfinhos. Durante as pescarias os grupos podem oferecer assistência mútua e, inclusive, cooperar com as pescarias locais. Em alguns locais do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, ocorre regularmente a pesca cooperativa entre os golfinhos-flíper e pescadores de tainha (Mugil spp.). Os pescadores inclusive, conhecem cada golfinho através de marcas pelo corpo e forma da nadadeira dorsal. A maioria deles tem nomes dados pelos pescadores. Outro local onde esta interação ocorre é na Mauritânia.

Alimentação: Peixes, lulas, polvos e crustáceos.

Identificação Individual : É feita através de marcas e cicatrizes no bordo posterior da nadadeira dorsal. As marcas e cicatrizes ao longo do corpo que os animais adquirem ao longo de suas vidas podem ajudar, como complemento, a identificar distintos indivíduos.

Cativeiro: Foi com o golfinho-flíper que se iniciaram as pesquisas com cetáceos em cativeiro, em 1914. Desde então ele se transformou em objeto de inúmeros estudos sobre comportamento e fisiologia, que fizeram com que o conhecimento sobre os cetáceos fosse ampliado. É um dos cetáceos que mais bem se adaptam em cativeiro. São exibidos em oceanários em várias partes do mundo e são inclusive utilizados em programas militares e de terapias. Um seriado de TV que tinha um Tursiops chamado de "Flipper" como personagem principal, tornou esta espécie de golfinho famosa em todo o mundo, e inclusive deu origem ao nome comum hoje adotado no Brasil. No cativeiro, o golfinho-flíper pode cruzar com outras espécies e produzir filhotes híbridos. As espécies envolvidas foram o golfinho-de-dentes-rugosos (Steno bredanensis), a baleia-piloto (Globicephala spp.), a falsa-orca (Pseudorca crassidens) e o golfinho-de-risso (Grampus griseus). Das duas últimas espécies, também existem filhotes híbridos que já foram descobertos na natureza.

Inimigos Naturais: As orcas (Orcinus orca) e os grandes tubarões (Família Carcharhinidae)

Ameaças: Capturas acidentais e intencionais em redes de pesca, degradação de seus habitats, poluição química e sonora dos oceanos constituem as principais ameaças para a espécie.
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Flipper era uma série de TV norte-americana de 88 episódios, de 25 minutos cada, criado por Ricou Browning e Jack Cowden e foi apresentado originalmente de 19 de setembro de 1964 até 1 de setembro de 1968 pela rede NBC, nos Estados Unidos. Esta série é uma adaptação ou um spin-off do filme Flipper de 1963. Na realidade Flipper nunca existiu. Para interpretar o papel foi necessário cinco golfinhos fêmeas, por os machos geralmente apresentam marcas de dentes na parte de cima, devido as lutas para conseguir as fêmeas e os produtores necessitavam que os golfinhos tivessem corpos impecáveis.

Os golfinhos nunca trabalhavam em liberdade, a série foi rodada no interior de um perímetro cercado nas Bahamas e também onde aconteciam o seu treinamento. Richard O´Barry, um treinador de golfinhos escreveu textualmente: "depois de dois dias sem comer, não há nada que um golfinho não faça por um bom pescado". A voz inclusive de Flipper era falsa. O som que se escutava quando animal balançava a cabeça na água salgada e sacudia o corpo, foi gerado por Mel Blanc que também fazia as vozes do Pernalonga e de outros desenhos animados.

Na década de 60, quando a série se tornou um sucesso, um golfinho treinado tinha um custo de 400 dólares e todos queriam ter um. Quem tinha dinheiro para construir uma piscina queria ter um Flipper. O Sea Aquarium de Miami, dono da mesma empresa que produziu a série, se converteu por isso no principal exportador de golfinhos fêmeas. Todos os aquários do mundo apresentavam como o verdadeiro Flipper. A série causou mais dano do que benefício aos golfinhos. O público enamorado de Flipper, começou a pedir leis mais rígidas que defendiam os mamíferos marinhos e assim começaram as primeiras proibições de captura. No inicio dos anos 70 o preço de um golfinho era por volta de 220.000 dólares.

Nos anos 80, ao descobrir que se matava mais golfinhos do que realmente eram capturadas, uma campanha se estendeu por todo o Estados Unidos. A imagem de Flipper tem, talvez, mais matado golfinhos do que salvo suas vidas. Os golfinhos gozam hoje de carinho do público que as protege e cada vez aumento o número de pessoas que não desejam vê-lo em cativeiro. Susie, Kathy, Liberty, Patty e Sharky, as protagonistas da série Flipper morreram no cativeiro, compradas por um circo de quarta categoria quando a série foi encerrada. Ric O´Barry, o treinador, foi detido em 1970 na ilha de Bimimi por tentar libertar um golfinho do cativeiro. Desde então dirige uma associação de proteção aos golfinhos que tem como objetivo libertar golfinhos que estejam em cativeiro em todo o mundo.

A história da série Flipper conta o dia-a-dia do guarda Porter Ricks, que trabalha numa reserva marinha na Flórida, nos Estados Unidos, cuja a função é proteger de mergulhadores e pessoas mau-intencionadas, os peixes, os corais e toda espécie de vida que exista na reserva. Porter Ricks é um viúvo que seu tempo em zelar pela vida marinha e cuidar de seus dois filhos: Sandy de 15 anos e Bud de 10 anos de idade. As crianças contam sempre com a ajuda do golfinho Flipper, para sair das enrascadas ou para ajudar a combater destruidores do meio-ambiente.

Flipper é um animal extremamente inteligente e dócil, que mantém com Sandy e Bud (principalmente com Bud) uma intensa relação de carinho. Na primeira temporada da série aparecia periodicamente o personagem Hap Gorman (Andy Devide), um velho carpinteiro marinho com inúmeras histórias sobre a vida e aventuras do mar. Durante a segunda temporada, uma atriz sueca de nascimento, Ulla Stromstedt, participou periodicamente durante a segunda temporada como oceanógrafa chamada Ulla Nostrand, que freqüentava a região e onde estudava o oceano e vida nos pântanos e às vezes ajudava o guarda-florestal e seus filhos em assuntos de execução do parque. A série Flipper fez um grande sucesso no mundo todo, e no Brasil não foi diferente, quando passou por aqui na década de 60, conseguiu reunir uma legião de fãs.